Adoramos Rallye

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31.10.08

BMW 2002TIi Schnitzer - Esquife Voador

BMW 2002 TIi
O Esquife Voador

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Os anos 60 muitos carros foram cortados, dentre eles Porsche, VW e pelo menos uma (ou duas) BMW 2002 TIi Schnitzer, chamada pela alcunha de "Esquife Voador", que percorreu as pistas brasileiras entre os anos de 1968 a 1972 - na verdade, eu queria saber onde anda essa "coisa esquisita", obra do Arguina (Aguinaldo Goes)? Sumiu num acidente? Era uma ou duas cortadas? Qual a verdade ou a lenda que envolve esse esquife?

Grid em Interlagos de 1971, formada pelo Esquife #9, a Carretera do Camilo #18 e a Maserati do Salvador Cianciaruso #95.

Em 1969 o Chico Landi e o Eugênio Martins venderam a Companhia Brasileira de Empreendimentos conhecida no meio automobilistico como CBE, que era uma importadora dos carros BMW- As BMWs eram, também, importadas pela Dacon e pela Samdaco (não sei se a CEBEM era uma revenda autorizada e com cláusula de exclusividade). Essa venda foi feita para o Aguinaldo Goes, que a transformou em CEBEM (Companhia Brasileira de Empreendimentos Mercantis) - com a compra, adquire os direitos sobre o Time (virou por uma alteração societária, chefe do time, agora com o nome de CEBEM) - seus pilotos Ciro Cayres, Jan Balder e Paulo (Paulão Gomes).

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O Esquife foi concebido (dizem) para a prova dos 1500 Quilômetros de Interlagos, onde foi vitoriosa pelas mãos de Jan Balder e Ciro Cayres - concebido assim: cortaram uma BMW 2002 TIi preparada pela Schnitzer, com o intuito de acabar com a supremacia das Alfas GTA, do Zambello, Alcides Diniz, Lolli e outros. Era uma tentativa grosseira, de transformar um sedã em spyder. Aliás, o Aguinaldo alterou, também, o Furia criado pelo meu amigo Toni Bianco, transformando-o numa espúria Fúria-BMW na cor azul (para ser mais exato, na cor oficial de corrida na época, da BMW).

Paulão mirando a GTA e depois... final de prova.

Diz a história que, que esse carro cortado era o mesmo que havia capotado em Curitiba (prova Presidente Costa e Silva, no autódromo dos Pinhais), pelo Luiz Pereira Bueno (há informações que a BMW era preparada pela Alpina, mas na verdade o Esquife era da Schnitzer - as duas BMWs Alpina, vieram num lote importado antes de 70 - acho eu que foi em 1968 - portanto, não confundam aquelas preparadas pela Alpina, com uma preparação mais forte, realizada pela Schnitzer).

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Eram duas BMW TIi Schnitzer (uma vermelha e outra azul - a azul foi capotada pelo Luizinho e a vermelha, foi capotada pelo Paulão no final dos 200kms de Belo Horizonte), importadas e preparadas, mas só uma delas correu em Curitiba e correu pouco, porque o Luizinho capotou na segunda volta. Uma das Alpina era pilotada pela dupla Agnaldo de Góis e Ricardo Achcar. A Schnitzer recomendava correr com a tampa do porta-malas um pouco levantada, para dar uma maior estabilidade nas retas - a bichinha resolveu voar e capotar.

Arguina e Paulo Gomes ouvindo atentamente o mecânico

A BMW Esquife, andava mais que sua irmã Sedã, que foi pilotada por várias provas pelo bravo Chico Landi. Essa não é uma informação precisa, pois, há histórias que a BMW vermelha, também foi cortada... Há afirmações, inclusive, que o Esquife não foi esse o cortado, ou seja, não foi utilizada a capotada pelo Luizinho, mas sim foi cortada uma "zero bala" - o testemunho é do Jan Balder que assistiu essa "arte". Em 1971 o Paulão fica em terceiro nos 500kms de Interlagos. Em 1972 o mesmo Paulão nos treinos para os 200kms de Belo Horizonte, acaba com o Esquife.


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Ciro Cayres nos 1500kms de Interlagos (1971) - A dupla Cayres e Jan Balder ganharam a prova

Eis a história verdadeira: Mas o que diz o Jan Balder, no seu livro "Nos Bastidores do Automobilismo Brasileiro": O Aguinaldo e o Ciro eram fanáticos por carros abertos e sempre diziam que o negócio era "cuca de fora". Ciro Cayres ainda completava: "Quero respirar". Eu questionava, acreditando que transformar um carro de série, vendido ao público, talvez distorcesse a imagem do produto, o que poderia não ser a melhor estratégia de marketing.

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Como argumento, Ciro Cayres mostrou uma revista importada com um Lancia sem capota, participando de uma subida de montanha na Itália. Foi a gota d'água. O chefe Aguinaldo de Góes não hesitou: pegou um arco de serra comum de aço e começou a cortar as colunas da capota. Virou para o técnico Sérgio "Cabeleira" e disse: "Dei a largada, o resto é com vocês".

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O BMW 2002 Schnitzer, preparado na Alemanha, virou um protótipo. Muitos achavam que era o mesmo BMW com que o Luiz P. Bueno tinha se acidentado nos treinos para uma corrida em Curitiba. Com a capota removida, foi necessário reforçar a estrutura do monobloco e recalibrar as molas e os amortecedores. Colocaram uma cobertura em alumínio, deixando apenas o cockpit para o piloto. Com "segurança", foi instalado um arco de proteção, simples e bem leve, que o "Cabeleira" batizou de "Santo Antonio sem-vergonha".

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Aguinaldo de Goés, sempre alegre, disse: "Esse vai ser nosso esquife voador".

Luis Cezar

29.10.08

Corridas com "Carreteras" no Brasil

Carreteras
(coisa para macho...)

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Eram velozes; tinham motor modificado ou trocado por uma muito mais forte; não tinham freios; eram recortadas e com apliques em lona (tampa do porta-malas); e não faziam bem curvas fechadas. But... eram espartanas, para pistas de terra ou de paralelepípedos, mas seus pilotos ou volantes como eram chamados no Rio Grande do Sul, eram rústicos, corajosos, audazes e inteligentes (aliás, ó o que basta para ser piloto).


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Eu tenho alguns filmes feitos nos anos 50 60 no Rio Grande do Sul e na Argentina, de corridas de carreteras. Era realmente emocionante essa prova típica de rua/estrada. O Fangio era um cultuador deste tipo de prova. Quando falamos em carreteras, lembramos dos Fords, dos Chevrolets, dentre outros, mas existiam DKWs, Gordinis, Fuscas dentre outras marcas e modelos. Mas a influência do carro-carretera no Rio Grande do Sul começou bem antes, lá nos anos 20 (nos anos 30 tinha um Ford 4 cc muito legal, com o Mickey pintado na porta, pilotado pelo grande volante Norberto Jung - onde foi parar esse carro? Esse carro fez parte do Raid Montevidéu-Porto Alegre em 1934).



A história começa a pegar fogo (literalmente) em 1943, com a prova realizada com carros equipados com gasogênio. Foi organizado pelo Touring Club e pelo jornal local Folha da Tarde uma prova no Circuito do Cristal (18/o7/43) - era uma prova com motivos patrióticos... sei, sei. Só sei, que depois desta prova o Automóvel Clube Brasileiro instituiu um Campeonato Brasileiro de Gasogênio. Na primeira prova foram 24 carros inscritos (não havia número impar estampado, somente números pares - ex: o 2 era o carro do Dr. José Giorgi de Bento Gonçalves, o 4 era do Guaraci Almeida Costa de Passo Fundo, o 6 (alias o único carro a lenha), era do Ari Burlamaque de Passo Fundo, e por ai vai (o Caetano era o 10, o Júlio Andreatta era o 14, o Catharino Andreatta era o 24). A largada foi às 8 horas, com previsão de 15 voltas, perfazendo um total de 225 kms - nunca houve tantos inscritos, e a corrida foi assistida por 30 mil pessoas (isso na década de 40!). O Catharino ganha a prova com seu Ford-Gasogênio Rimoli (o José Rimoli era amigo dele), com uma média de 76,26 kph (nada mal para uma lareira ambulante). Em 10 de setembro de 1944, volta a ganhar com o Rimoli no mesmo circuito. No Campeonato Brasileiro de Gasogênio, o Catharino ficou em segundo e o Chico Landi ficou em primeiro. Após a guerra, o Catharino assume a posição de primeiro piloto da Escuderia Galbo Branco. E a partir dai meus caros, que as carreteras ganham força e visibilidade.


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Nesta nova fase - pós-guerra - o crescimento do uso de carreteras, superou em muito a previsão da época, pena que alguns dos pioneiros não pudessem partilhar deste desenvolvimento, como o volante gaúcho Norberto Jung, que ao se acidentar no trânsito (com seu carro "normal"), perdeu o braço esquerdo (seguiu no automobilismo, apenas como delegado do ACB (Automóvel Clube do Brasil). A lista de pilotos (volantes) no Rio Grande do Sul era grande e recheada de gente brava: Em Porto Alegre destacava-se o Breno Fornari, Alfredo Ribeiro Daut, Aldo Costa, Lupiscínio Vieira e Gabriel Cucchiarelli; em Caxias do Sul - Oscar Bay, Antônio Burlamaque e Germano Rigotto; em Farroupilha o Jayme Rössler; em Santa Cruz do Sul Osvaldo Oliveira; em Encantado - Argemiro e Alcides Pretto; em Pelotas - José Madrid; em Passo Fundo - Alcidio Schroeder, Aido Finardi e Orlando Menegaz; em Bento Gonçalves - Aristides Bertuol e Waldir Rebeschini; em Bagé - Nicanor Ollé, José Otero e José Asmuz; em São Francisco de Paula José Asmuz e de Livramento Antônio e Ramon Planella.



Estes caras corriam nos circuitos da Avenida Farrapos, Parque da Redenção (3kms por volta), Pedra Redonda e Cavalhada-Vila Nova (todos em Porto Alegre) - isso sem falar em corridas em Passo Fundo e pelo interior do Rio Grande do Sul. Tinha o Circuito Zona Sul de 937kms (Guaíba-Bagé-Guaíba); a Grande Prova (endurance) Getúlio Vargas de 51, as carreteras percorreram 2.136kms entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro; ainda no RGS tinha o Circuito Praias do Atlântico, Circuito Encosta da Serra, Circuito do Litoral, Circuito do Alto Taquari e Circuito da Boa Vizinhança (com 503kms).

O Classic Car Club do Rio Grande do Sul, deveria reviver pelo menos um circuito destes - não sei bem como está a estrada ou a paisagem e infra, mas reviver a Copa RGS seria interessante. Essa Copa tinha como trajeto Porto Alegre-Passo Fundo-Porto Alegre (eram dois dias: Porto Alegre, São Leopoldo, Nova Petrópolis, Caxias do Sul, Vacaria, Lagoa Vermelha e Passo Fundo - depois - Passo Fundo, Marau, Casca, Guaporé, Bento Gonçalves, Farroupilha, Feliz, São Sebastião do Sul do Caí, Porto Alegre). Essa prova teve como grande figura o "Leão da Serra" Alcidio Schroeder - tinha no seu Ford a figura do "Amigo da Onça" pintada.


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Esses gaúchos (quase todos de origem italiana, para o desespero do Leke), ainda vieram para São Paulo e deram pau em 1956 nas primeiras Mil Milhas em Interlagos - das 31 duplas inscritas, 13 eram do Rio Grande do Sul (14 de São Paulo, 3 do Paraná e 1 de Santa Catarina). A prova foi vencida pela dupla gaúcha Catharino e Breno com um Ford de número 2 da Escuderia Galgo Branco (em segundo chegaram os paulistas Christian Heins e Eugênio Martins, com um VW-Porsche, sendo espremidos pela carretera da dupla Bertuol e Rebeschini). Era uma verdadeira Legião de Gaúchos! Essa Legião voltou no ano seguinte, na trágica Mil Milhas de 57 (eram 23 duplas paulistas contra 13 gaúchas). O Chico Landi teve que parar porque suas lanternas traseiras estavam apagadas. Teria que parar em até 5 voltas, mas parou na nona. Vários cavalos atravessaram a pista - numa destas vezes, o Pessolato desviou a sua carretera e bateu no barranco, vindo a falecer. O Santilli, também quase capotou ao atropelar outro cavalo (pegou de lado na sua carretera). O Chico Landi ganha a prova numa recuperação incrível, but... a Legião de Gaúchos chia e faz festa para a dupla segunda colocada (Bertuol/Menegaz)... para a terceira colocada (Catharino/Diogo)... e para a quarta colocada (Júlio/Dirceu Oliveira). Houve muita confusão, tapa, chute, soco e no meio da madrugada a Comissão Esportiva dá a vitória ao Bertuol e seu companheiro. Mais porrada!!! O resultado oficial confirmando a vitória da dupla gaúcha, saiu somente 3 dias depois. Em 58 Catharino e Breno ganham a prova e em 59 também (dupla Catharino e Breno - Time Galgo Branco). Os paulistas ganham em 60 e em 61 (no declínio das carreteras), a dupla de Ítalo/Menegaz com a carretera Chevrolet-Corvette número 9, chega 12 segundos a frente do Heins, marcando um recorde de velocidade para a prova (108kph). As carreteras ainda corriam pelo interior do Rio Grande do Sul e participavam de provas importantes, como os 500 Quilômetros de Porto Alegre (Circuito da Pedra Redonda), mas já era história...



Depois de eu postar esse artigo, o volante Oscar Leke - que conhece como poucos, a história das carreteras no Rio Grande do Sul, me manda outras fotos e algumas informações, dentre elas a que Fangio venceu o Primeiro Grande Prêmio Getúlio Vargas em 1941, e que no Segundo GP os gaúchos (ítalo-gaúchos), venceram de ponta a ponta numa excpcional façanha da dupla Julio Andreatta e Aristides Bertuol.


Chico Landi brigando inconformado com a desclassificação

Carretera acidentada por ter atropelado um cavalo

Carretera que atropelou um outro cavalo - Djalma Pessolato morreu no acidente


Aqui é a chegada das carreteras na frente do Pacaembu

Carretera de Bertuol - primeira a fazer o trecho Rio Janeiro-São Paulo em menos de 3 horas

Bertuol na chegada na Vila Maria (?!)


Fotos recentes em Passo Fundo



























































Carretera do Camilo - inspiração gaúcha



Filminhos
Gasogênio 1943 - Porto Alegre



Carreteras em Passo Fundo



Volantes Gaúchos


Luis Cezar

A Volta das Carreteras

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